O Ensino das Confissões no Lar – Pr. Jim Witteveen

 

Deuteronômio 6:4-9 – “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.”

Esta passagem é fundamental para o povo de Deus – não só para os Judeus, mas também para nós. Os Judeus chamam verso 4 de “Shema” – e os ortodoxos dos dias de hoje recitam este versículo a cada dia. Estes versos formam a constituição da aliança. Porque nessas palavras vemos a maneira como Deus realiza as suas promessas para o seu povo – por meio do ensino dos pais da aliança. A fé é transmitida de uma geração a outra por meio do trabalho dos pais fiéis. Deus faz promessas; mas estas promessas não são realizadas automaticamente. Podemos ver a realidade disso na palavra de Deus – quando os pais de Israel, por exemplo, não ensinaram seus filhos a obedecer os mandamentos de Deus, eles caíram, e caíram horrivelmente. No livro de Juízes você pode ler o que acontece quando os pais esquecem suas responsabilidades:

Havendo Josué despedido o povo, foram-se os filhos de Israel, cada um a sua herança, para possuírem a terra. Serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo SENHOR a Israel. Faleceu Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos; sepultaram-no no limite da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás. Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel” (Juízes 2:6-10).

Foi uma situação muito triste: a geração nova “não conhecia O SENHOR.” Como é possível que isto acontece? Somente é possível quando os pais não ensinam suas crianças.

Quando apresentamos nossas crianças para serem batizadas, nós fazemos promessas solenes. Nós prometemos que vamos ensinar nossas crianças, e que vamos “fazer todo o possível para que” nossas crianças sejam instruídas naquele ensino. O ensino de nossas crianças é, em primeiro lugar, nossa responsabilidade. Não é simplesmente a responsabilidade do pastor, ou dos presbíteros. Sim, eles têm responsabilidade; mas esta responsabilidade é delegada a eles por nós – pelos pais. Eles nos ajudam a ensinar nossas crianças, eles não têm toda a responsabilidade. As pessoas que têm a influência maior nas vidas de nossas crianças não são o pastor e os presbíteros. As pessoas que têm a influência maior nas vidas delas somos nós!

 

Particularmente o pai precisa guiar a sua família nos caminhos de Deus. A sua liderança inclui orar com (e pela) família; ler as Escrituras com a família; falar sobre estes assuntos com as crianças; responder a suas perguntas; e ensinar os fundamentos da fé.

Duas horas por semana não é suficiente para um trabalho tão importante. Isso não é somente uma atividade a mais dentre muitas outras – nossas responsabilidades incluem toda nossa vida – em casa, andando pelo caminho, quando nos deitamos, quando nos levantamos. Nossas vidas não são divididas em compartimentos distintos – a vida religiosa de um lado, e a vida secular por outro lado. Quando nós, como pais, deixamos o trabalho de ensinar nossas crianças nos caminhos de Deus para os oficiais da Igreja, essa é a mensagem que estamos comunicando para nossas crianças. Ensinamos a elas que nossa religião é somente um aspeto de nossa vida, e não o centro da vida inteira. O resultado disso é a formação de “Cristãos de Domingo” – pessoas que vivem como Cristãos somente nos domingos, e vivem como o mundo no resto da semana.

Não vai ser fácil. Trabalho importante é trabalho duro. Ensinar nossas crianças exige um compromisso total. Exige auto sacrifício, e dedicação aos outros deveres. Tudo isto toma tempo. Mas este tempo é tempo usado para Deus, e é tempo que Ele usa para dar bênçãos – não somente aos que são ensinados, mas também aos que ensinam. O melhor maneira de aprender é ensinar a outros!

Então, como podemos usar as confissões no ensino de nossas crianças?

Em primeiro lugar, temos nosso catecismo. O catecismo foi escrito particularmente para ensinar as crianças. O príncipe de Heidelberg viu que havia muitas crianças na igreja que não sabiam os fundamentos da fé. E assim, ele comissionou o escrito de um catecismo – escrito com perguntas e respostas, particularmente para crianças. Cada semana, as crianças memorizavam um Dia do Senhor. Em um ano, eles aprendiam os fundamentos – os dez mandamentos, o credo apostólico, e a oração do Senhor. Eles aprendiam sobre seus pecados e miséria, sobre os meios de salvação, e sobre como eles podiam agradecer a Deus por toda sua vida.

A educação nos domingos não é suficiente para “ensinar a criança no caminho em que deve andar” (Provérbios 22:6). Sua educação Cristã deve ser integrada com suas vidas do dia a dia. Essa prática ensina nossas crianças que fé não é apenas ir a igreja aos domingos, mas é o centro de nossa vida. Na sala de jantar, após a refeição, pratique o catecismo no Dia do Senhor que seus filhos estão estudando naquela semana, ou o Dia do Senhor que vai ser o assunto da pregação no próximo domingo. Pergunte a seus filhos: Qual é o seu único consolo na vida e na morte? E os ensine que o consolo deles não é achado nas posses, nos amigos, no dinheiro, na educação, nos prazeres da vida, nos esportes, nem mesmo na família. Seu único consolo na vida e na morte é pertencer a seu Salvador fiel, Jesus Cristo.

Não vai tomar muito tempo – não estou dizendo que vocês precisam pregar um sermão após o jantar cada noite. Se seus objetivos são irreais, não vai conseguir cumpri-los. Vai se sentir desencorajado, e vai desistir. Comece tomando pequenos passos. Dez minutos por dia, três dias por semana. Estabeleça objetivos realistas – é melhor fazer algo, que não fazer nada, mesmo que você não está realizando tudo que você quer realizar.  Desta maneira podemos encorajar nossas crianças a estudar as Escrituras e as confissões – e temos oportunidade de prover respostas as perguntas deles, e discutir as coisas de Deus, coisas profundas e significativas. Desta maneira mostramos o amor de Deus para nossas crianças!

Quando eles aprendem isso, quando eles memorizam esta confissão, eles vão ter uma resposta pronta às perguntas de outras pessoas – de seus colegas, seus vizinhos e amigos. Por que você vai a igreja? Por que você não participa em certas atividades? Por que você lê a Bíblia e ora? Quando eles são questionados, eles vão ter uma resposta preparada – “Eu não pertenço a mim mesmo, mas pertenço de corpo e alma, tanto na vida quanto na morte, ao meu fiel Salvador Jesus Cristo.” Nossas crianças podem aprender essa verdade quando eles têm cinco anos – e nos anos seguintes, eles podem aprender o que essas palavras significam.

A memorização não faz parte da moda nos meios educacionais nos dias de hoje. Mas ao longo da historia, a memorização foi considerada fundamental para a educação das crianças. Os pensamentos que nós temos muitas vezes são sobre coisas que já memorizamos. Quando você está passeando, ou dirigindo, ou lavando pratos, o que está em sua mente? Letras de música popular que você ouviu quando era criança? Tenho vergonha de dizer que eu me lembro mais de letras de canções ruins do que ensinamentos da Palavra de Deus. Porque eu as memorizei quando era jovem – e estas letras jamais serão esquecidas. Mas o mesmo se aplica às boas palavras que memorizamos quando somos jovens. Quando Cristãos envelhecem, eles vão lembrar dos salmos que memorizaram, do catecismo que memorizaram, das passagens da Escritura que memorizaram. E estas palavras vão prover consolo e encorajamento, mesmo quando eles terão esquecido cada outra coisa. Entendimento começa com memorização – é o indispensável primeiro passo.

Então, este tipo de catequese diária tem dois benefícios. Em primeiro lugar, nossas crianças vão aprender o conteúdo da fé. Elas vão saber os fatos da fé Cristã, de em uma maneira pessoal. Mas também, por meio da pratica diária, elas vão crescer em entendimento do modo da vida Cristã. A vida Cristã é uma corrida. Mas é uma maratona, não uma corrida de 100 metros rasos. Precisamos de dedicação. Precisamos trabalhar. Precisamos ser consistentes. Precisamos nos dedicar a práticas da vida Cristã, ainda quando é inconveniente. Mostramos essa verdade a nossas crianças quando nos dedicamos a ensiná-las com o catecismo dia a dia. Elas vão compreender o quão importante nossa fé é quando eles perceberem que nós levamos nossa fé a sério – quando nós praticamos o que pregamos.

E também, essa prática nos ajuda a evitar dois erros no pensamento e entendimento de nossas crianças. O primeiro é o tradicionalismo e o legalismo. Quando as crianças não sabem porque elas vão a igreja, porque a família deles segue uma tradição particular, a religião não vai viver no coração. Vai ser uma questão somente de obediência exterior – obediência a certas regras: faça isso, não faça aquilo… sem conhecimento sobre o porquê que nós vivemos deste modo. Quando elas crescerem, elas vão saber as regras, mas não vão conhecer Cristo! Quando as pessoas sabem as tradições, mas não o que as tradições significam, as tradições vão escravizá-los. O resultado é uma igreja morta, cheia com pessoas que não vivem em Cristo. Este é o caminho para liberalismo e nominalismo, um caminho em que nós não queremos seguir.

O segundo erro é este: se nossas crianças não sabem o conteúdo da fé, elas serão vítimas fáceis dos inimigos de Cristo – as seitas que querem enganá-las; o mundo descrente que quer capturá-las; a descrença, as obras da carne, que vai atacá-las quando elas não sabem no que acreditam. Elas não vão ter o escudo da fé, com o qual poderiam apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Elas serão vítimas da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos, e da soberba da vida. Elas vão rejeitar a fé completamente, porque elas não conhecem a gravidade do pecado, o significado da salvação, a grandeza da graça de Deus, e como devemos responder a esta graça – todos os assuntos de nosso catecismo!

Em conclusão, quando usamos os confissões com nossas crianças, esses documentos permanecem documentos vivos, não somente documentos históricos. Isso serve para proteger a fidelidade da igreja de geração em geração. Deus tem usado meios para preservar a Igreja ao longo dos séculos. E um meio que Ele tem usado e que continua a usar é a fidelidade dos pais que ensinam suas crianças.

Crescimento na fé não acontece automaticamente, como eu já disse. Por isso nós encorajamos os pais da aliança a manterem esta prática.  “Pais, não provoqueis vossos filhos a ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6).

Graças a Deus, Ele é fiel. Ele é “o SENHOR, teu Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos” (Deuteronômio 7:9). Não temos garantia que nossas crianças permanecerão fiéis se nós as ensinamos fielmente. A fé delas também é a obra do Espirito Santo. Mas sabemos isso: Deus abençoa o trabalho fiel do seu povo.

Que Deus nos conceda o desejo e a perseverança para que possamos cumprir a nossa responsabilidade com amor.