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A Torre de Babel – Gênesis 11.1-9.

História 7 – A Torre de Babel – Gênesis 11.1-9.

Texto: Elias Barbosa da Silva

Revisão: Pastor Alexandrino Moura

Na história anterior aprendemos que Deus providenciou a humanidade um novo recomeço. Ele destruiu todas as pessoas da face da terra por causa da maldade no coração do homem, deixando apenas Noé e sua família. Também destruiu quase todos os animais da terra, deixando apenas um casal de cada espécie para repovoar a terra após o dilúvio.

Ao renovar a aliança com Noé e sua família, Deus os ordenou a se multiplicarem e encherem a terra. E em Gênesis 9.19, nos é dito que a terra foi povoada a partir de Sem, Cam e Jafé. Eles e suas esposas tiveram filhos, que depois se casaram e tiveram mais filhos. E, assim, a terra foi se enchendo cada vez mais e quanto mais se enchia, mais eles precisavam mudar de um lugar para outro, cumprindo a ordem de Deus. Apesar das famílias crescerem e se espalharem, havia na terra apenas uma linguagem e uma maneira de falar (Gênesis 11.1). Isso quer dizer que todos se entendiam bem quando estavam conversando.

Mas houve um momento em que o povo encontrou uma terra muito boa para morar. E daí, eles decidiram desobedecer a Deus e não mais se espalhar pela terra. Decidiram construir uma cidade e também uma torre. Não seria um problema construir uma cidade, mas o desejo deles era ficar ali de maneira permanente e não se espalhar mais pela terra como Deus mandou. E no caso da torre, com orgulho no coração eles queriam que ela fosse tão alta que chegasse até ao céu e que o nome deles fosse conhecido por causa dessa grande construção. Claro que os homens sabiam que não seria possível construir uma torre que chegasse até ao céu, mas o que eles queriam dizer é que queriam a torre mais alta para ficarem famosos em todos os lugares.

Deus que vê tudo e sabe de tudo, não se agradou com essa atitude do seu povo. Vocês sabem que Deus está em todo lugar. Ele não tem corpo e nem fica limitado a somente um espaço. Não existe nada que possa ser comparado a Deus. A Bíblia diz que “Deus desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam.” Gênesis 11.5. Engraçado, não é? Os homens achavam que a torre era tão alta que chegaria até o céu, mas Deus teve de descer para ver a torre. Com certeza era uma torre alta, mas nem a torre mais alta do mundo pode desafiar a grandeza de Deus. Mas os homens orgulhosos queriam não apenas desobedecer a Deus, mas até mesmo desafiá-lo.

Deus então resolveu o problema da desobediência, rapidinho. Vocês lembram que todos falavam a mesma linguagem, não é? Pois a partir daquele momento, Deus fez com que as pessoas não conseguissem mais entender umas as outras. Imaginem que confusão! Os trabalhadores querendo continuar a obra da Torre e de repente um não conseguia entender o que o outro falava.

Assim, eles pararam de construir a torre e tiveram de se espalhar pela terra. Se espalhar pela terra e possuí-la era uma bênção de Deus, mas agora eles teriam de se espalhar como se fosse um castigo, indo pelos cantos da terra, contra sua própria vontade.

O nome daquela cidade ficou conhecido como Babel, que significa “Confuso”. Vejam a frustração dos homens! Eles queriam que sua construção fosse tão magnífica que ficassem conhecidos por todo o mundo! E na verdade ficaram! Mas como uma construção para sua própria vergonha. O nome da cidade com certeza não foi o nome que eles gostariam que ela tivesse. Mas o castigo da desobediência foi registrar sua desobediência e vergonha para que todos ficassem sabendo.

As nações a partir daquele momento estariam divididas de acordo com sua língua.

Mas Deus já tinha em seus planos de unir todas as nações de volta. No dia de Pentecostes já houve um sinal sobre isso quando as pessoas começaram a ouvir as maravilhas de Deus em línguas de diversas nações.

Em Apocalipse 7.9-12 nós lemos sobre uma grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono do Senhor Jesus Cristo, dizendo: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.”

A confusão que foi criada por causa da rebeldia dos homens, foi desfeita pela obra de salvação do nosso Senhor Jesus Cristo.

Que Deus nos abençoe!

Perguntas para fixação de conhecimento.

1 – Qual foi a desobediência do povo?

2 – O que Deus fez para fazer as pessoas se espalharem?

3 – Como ficou conhecida aquela cidade?

MATERIAL DE APOIO A ELABORAÇÃO DAS HISTÓRIAS

1 – Bíblia de Estudo de Genebra.

2 – Marty Machowski. The Gospel Story Bible: discovering Jesus in the Old and New Testaments. New Growth Press, Greensboro, NC (USA). 2011

3 – S. G. De Graaf, Promise and Deliverance (vol. 1). Paideia Press. St. Catharines. Ontario (CA) 1977

4 – Matthew Henry. Comentário Bíblico – Volume I – de Gênesis a Deuteronômio. CPAD. 4ª Impressão, 2017

5 – João Calvino. Comentário no livro de Gênesis. Volume 1. CLIRE, 1ª Edição, 2018

Educação dos filhos: Como deve ser? – O que os regimentos das igrejas reformadas falam sobre isso? – Por Mark Penninga

Educação dos filhos: Como deve ser?[i] – O que os regimentos das igrejas reformadas falam sobre isso?

Por Mark Penninga

Alguns anos atrás, tive o privilégio de me juntar ao meu colega André Schutten para fazer apresentações em igrejas e escolas reformadas em todo o Canadá. Nós falamos sobre os desafios políticos e legais que estamos vendo contra a autoridade dos pais na educação e, ao preparar essas apresentações, fiz algumas pesquisas sobre o que os Cristãos Reformados acreditam sobre quem é o principal responsável pela educação dos filhos.

Eu presumia que havia uma perspectiva comum sobre a autoridade dos pais, à luz da teologia da aliança. Eu estava errado.

Quem dá as cartas – a igreja ou os pais?

O regimento das denominações reformadas no Canadá nos levam até o Regimento do Sínodo da Dort esboçado em 1618-1619. O artigo 21 deste documento afirmou que:

“Os conselhos em todos os lugares devem assegurar que existam bons professores, não só para ensinar as crianças a leitura, escrita, linguagem e as artes liberais, mas também instrui-las na piedade e no catecismo.”

O artigo 44 adiciona:

“Os concílios regionais devem autorizar um número de seus ministros … a visitar todas as igrejas uma vez por ano, tanto nas cidades quanto nos distritos rurais, e prestar atenção se os ministros, conselhos e professores da escola desempenham fielmente os deveres de seus ofícios, em acordo com a sã doutrina …”

O que isso significa é que há um entendimento de que as igrejas têm autoridade sobre as escolas, pelo menos quando se trata de decidir quem ensina e o que é ensinado.

IGREJA

Em minha pesquisa, descobri que as Congregações Reformadas da Holanda (NRC – Netherlands Reformed Congregations) no Canadá defendem este Regimento de 1619 e, como tal, têm escolas oficialmente administradas pela igreja. Mas elas são uma raridade.

PAIS

Então, o que o regimento de outras denominações reformadas[ii] diz? As Igrejas Reformadas do Canadá (CanRC – Canadian Reformed Churches) têm o Artigo 58, que afirma:

“O conselho deve assegurar que os pais, no melhor de suas habilidades, tenham seus filhos frequentando uma escola onde as instruções dadas estão em harmonia com a Palavra de Deus, como a igreja resumiu em suas confissões.”

Os pais são encarregados da autoridade para que seus filhos frequentem uma escola fiel, embora as igrejas devem encorajá-los a isto.

A versão do Regimento das Igrejas Reformadas Unidas (URC – United Reformed Churches), no artigo 14, observa que os presbíteros “devem manter a pureza da Palavra e dos Sacramentos, ajudar a catequizar os jovens, promover a educação centrada em Deus …” Assim, é semelhante ao Regimento das CanRC, mas não insiste que a escolaridade esteja de acordo com as confissões reformadas.

A Proposta conjunta de Regimento para as CanRC e URC de 2012 faz um ótimo trabalho, combinando-as ao solicitar ao conselho para “promover a escolaridade em todos os níveis que esteja em harmonia com a Palavra de Deus como resumiram as Três Formas de Unidade”. Isso cria espaço para a educação domiciliar e também exige conformidade com as confissões reformadas.

As Igrejas Reformadas Livres (FRC – Free Reformed Churches) têm uma herança teológica comum às NRCs, mas o Regimento mudou quanto a este assunto. O artigo 54 estabelece:

“Os conselhos farão o necessário para que os pais, em harmonia com as promessas feitas no batismo de seus filhos, tenham-nos em escolas onde a instrução está de acordo com a Palavra de Deus e as Três Formas da Unidade.”

Como o Regimento das CanRC, há uma menção explícita de que a escolaridade deve estar de acordo com as Confissões Reformadas.

os regimentos das igrejas são realistas?

Esses vários regimentos parecem refletir o tipo de educação que comumente observamos ocorrendo entre as famílias nessas denominações. As congregações das NRC criaram suas próprias escolas dirigidas pela igreja. Exceto no caso das escolas católicas romanas, esse modelo é muito raro no Canadá hoje.

Membros das CanRC começaram escolas onde a maioria dos estudantes também são das CanRC. No entanto, mais recentemente, a direção mudou para trabalhar com pais de outras igrejas reformadas ortodoxas para iniciar e manter escolas.

As URC saíram recentemente da Igreja Reformada Cristã – CRC (Christian Reformed Church) e, como resultado, muitas crianças ainda frequentam escolas cristãs não confessionais, embora uma mudança mais recente seja explicitamente em direção a escolas reformadas como a Heritage Christian School, em Jordan, Ontário.

Os pais das FRC não têm tantas opções já que têm poucas igrejas. Mas eles trabalham em conjunto com as NRC, Heritage Reformed (Herança Reformada) e com pais de outras igrejas para manter escolas reformadas confessionais.

Todas essas denominações reformadas reconhecem uma responsabilidade para igrejas quando se trata de promover a educação sólida, mas a maioria se afastou do modelo de 1619 em que as igrejas tinham autoridade direta e responsabilidade sobre as escolas.

educação escolar de acordo com a bíblia

Uma grande razão para a diferença de perspectiva sobre o papel da igreja na educação é porque a Bíblia tem muito pouco a dizer sobre escolaridade. Não há menção de escolas nas Escrituras. O mesmo é verdade para a educação em um sentido institucional para as crianças em geral.

Isso significa que a Bíblia não tem nada a dizer sobre educação? Não! Mas isso significa que nossa compreensão moderna da educação é estranha aos tempos bíblicos. Através das lentes da Bíblia, a própria vida é educação. Em outras palavras, a educação não se limita a um cenário específico ou a um tempo em nossa vida. Começa quando nascemos e nunca termina. Isso é importante porque a educação institucional tornou-se uma indústria no mundo ocidental. Nós a associamos com certificados, diplomas e graus. Mas embora reconhecendo seu valor, se pensarmos que são necessários para a educação, a Bíblia diz que estamos perdendo o ponto.

fazendo as escolhas difíceis

Na fonte batismal, os pais prometem criar seus filhos no temor do Senhor, tão logo essas crianças sejam capazes de entender. A escolaridade que escolhem para o seu filho deve ser consistente com essa promessa e com a pregação que eles recebem do púlpito.

Isso levanta a questão de quão longe uma igreja pode ir quando há desacordo entre os presbíteros e os pais sobre o que constitui uma “educação piedosa”. Não é incomum para os pais de uma igreja enviarem seus filhos a escolas diferentes. E quando o conselho trata acerca da escolha dos pais, isso pode rapidamente se tornar numa conversa sensível e difícil.

Em nosso mundo pós-moderno, nós não gostamos que nos digam que a escolha que fazemos é certa ou errada. De fato, até mesmo ser questionado sobre nossas escolhas na educação pode fazer com que levantemos nossa guarda. Essa é uma questão sensível. Por exemplo, depois de uma das apresentações da ARPA (Association for Reformed Political Action – Associação para Ação Política Reformada) sobre desafios legais na educação, fiquei bastante surpreso quando uma mãe que educa os filhos em casa me disse que esta foi a primeira vez que ela ouviu alguns de nossos pontos (sobre a centralidade da autoridade dos pais na educação e os perigos de ensinar dentro do sistema educacional dirigido pelo estado) sendo feito dentro das paredes daquela igreja em particular em que estávamos apresentando e da qual ela era membro. Ela explicou que tentaram levantar questões relacionadas há anos, mas a maioria das pessoas se recusava a considerá-las. Embora a educação em casa pareça ter um forte apoio bíblico, aparentemente, discutir isso em sua igreja reformada não era bem-vindo.

Todos os regimentos mencionados anteriormente são consistentes em atribuir aos presbíteros a responsabilidade por requerer dos pais que prestem contas acerca de sua decisão de como eles educam seus filhos. A realidade é que, nesta área da vida, como em qualquer outra área, pode haver muitas tentações para perseguir o que queremos e não o que é melhor. O desejo de frequentar uma escola que tenha melhores instalações, professores, padrões acadêmicos, programas esportivos, aulas práticas, etc. pode nos levar a comprometer o modo como essas coisas são ensinadas. Por outro lado, estamos errados se pensarmos que nossa única opção educacional é uma escola que tem o nome de “Reformada” ou que, em sua constituição, diz que é baseada nas confissões reformadas. A educação vai muito além de um nome ou uma constituição. E de outro ângulo, só porque a educação está sendo feita em casa, não a torna piedosa ou de qualidade.

A Bíblia não insiste em que a escolaridade tem de ser institucional (ou seja, dentro dos muros de uma escola). Mas deixa claro que toda educação deve estar em harmonia com a Palavra de Deus, e nossos Regimentos deixam claro que o conselho tem uma responsabilidade a este respeito.

perguntas para os leitores[iii]

Em um esforço para desencadear alguma discussão pública sobre isso, gostaria de enviar as seguintes perguntas com a esperança de que alguns dos leitores da Reformed Perspective respondam por meio de cartas ao editor ou submissão de artigos:

  • Embora a educação domiciliar não seja especificamente mencionada na maioria dos regimentos das Igrejas Reformadas, devemos assumir que ela esteja implicitamente incluída (como simplesmente outro tipo de escola)? Ou deveria ser incluído explicitamente? Por quê ou por quê não?
  • Como os conselhos devem garantir que a educação que está sendo dada numa família que educa em casa é piedosa e em consonância com as confissões reformadas?
  • Algumas famílias reformadas enviam seus filhos para escolas públicas (também em locais onde existem escolas reformadas e cristãs). Do contexto do que é delineado nos regimentos das igrejas, isso pode ser defendido? Algumas famílias reformadas enviam seus filhos a escolas cristãs não confessionais, também em locais onde uma escola reformada ortodoxa está presente. A igreja deveria falar acerca disso por meio da pregação, orações e visitas? Em caso afirmativo, como?
  • Algumas famílias reformadas enviam seus filhos para escolas reformadas e acreditam que isso conclui suas responsabilidades educacionais como pais. O que mais é exigido deles? Como o conselho e a Igreja podem explicar melhor isso para eles?
  • Algumas escolas são estruturadas como escolas governadas pelos pais, mas usam o nome de uma federação de igrejas (por exemplo: Escola Reformada Canadense Hope). O que acontece quando a direção dos pais/conselho da escola entra em conflito com a direção da igreja com a qual esses pais se ligaram de forma implícita ou explícita (por exemplo, na escolha das traduções da Bíblia)? Quais são as bênçãos e os perigos de uma escola governada pelos pais que se opera com o nome de uma federação de igrejas?

 

[i] Nota do tradutor: A tradução literal do título original poderia ser: Escola: quem deve governar?

[ii]Nota do tradutor: O Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil rege o seguinte sobre a responsabilidade dos pais na educação de seus filhos: ARTIGO 48. O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados: Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.

[iii] Nota do tradutor: as perguntas fazem parte do artigo original e foram traduzidas com o intuito de estimular o raciocínio e não de prover uma discussão sobre os pontos.

 

Traduzido por Elias Barbosa da Silva com autorização do autor.

educacaoreformada.com.br

Original disponível em http://reformedperspective.ca/school-who-should-rule/

Sobre o autor:

Mark Penninga é o diretor executivo da ARPA – Canadá, que tem a missão de equipar membros de Igrejas Reformadas canadenses para agirem politicamente e trazer uma perspectiva bíblica ao governo civil. Ele é mestre em Ciência Política, Bacharel em Filosofia e tem um certificado de Liderança em Assuntos Públicos Aplicados. Mark é o autor do livro  “Building on Sand: Human Dignity in Canadian Law and Society“. (Construindo sobre a areia: A Dignidade Humana na Lei e Sociedade Canadense)

 

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