All Posts By

Elias Barbosa

Educação dos filhos: Como deve ser? – O que os regimentos das igrejas reformadas falam sobre isso? – Por Mark Penninga

Educação dos filhos: Como deve ser?[i] – O que os regimentos das igrejas reformadas falam sobre isso?

Por Mark Penninga

Alguns anos atrás, tive o privilégio de me juntar ao meu colega André Schutten para fazer apresentações em igrejas e escolas reformadas em todo o Canadá. Nós falamos sobre os desafios políticos e legais que estamos vendo contra a autoridade dos pais na educação e, ao preparar essas apresentações, fiz algumas pesquisas sobre o que os Cristãos Reformados acreditam sobre quem é o principal responsável pela educação dos filhos.

Eu presumia que havia uma perspectiva comum sobre a autoridade dos pais, à luz da teologia da aliança. Eu estava errado.

Quem dá as cartas – a igreja ou os pais?

O regimento das denominações reformadas no Canadá nos levam até o Regimento do Sínodo da Dort esboçado em 1618-1619. O artigo 21 deste documento afirmou que:

“Os conselhos em todos os lugares devem assegurar que existam bons professores, não só para ensinar as crianças a leitura, escrita, linguagem e as artes liberais, mas também instrui-las na piedade e no catecismo.”

O artigo 44 adiciona:

“Os concílios regionais devem autorizar um número de seus ministros … a visitar todas as igrejas uma vez por ano, tanto nas cidades quanto nos distritos rurais, e prestar atenção se os ministros, conselhos e professores da escola desempenham fielmente os deveres de seus ofícios, em acordo com a sã doutrina …”

O que isso significa é que há um entendimento de que as igrejas têm autoridade sobre as escolas, pelo menos quando se trata de decidir quem ensina e o que é ensinado.

IGREJA

Em minha pesquisa, descobri que as Congregações Reformadas da Holanda (NRC – Netherlands Reformed Congregations) no Canadá defendem este Regimento de 1619 e, como tal, têm escolas oficialmente administradas pela igreja. Mas elas são uma raridade.

PAIS

Então, o que o regimento de outras denominações reformadas[ii] diz? As Igrejas Reformadas do Canadá (CanRC – Canadian Reformed Churches) têm o Artigo 58, que afirma:

“O conselho deve assegurar que os pais, no melhor de suas habilidades, tenham seus filhos frequentando uma escola onde as instruções dadas estão em harmonia com a Palavra de Deus, como a igreja resumiu em suas confissões.”

Os pais são encarregados da autoridade para que seus filhos frequentem uma escola fiel, embora as igrejas devem encorajá-los a isto.

A versão do Regimento das Igrejas Reformadas Unidas (URC – United Reformed Churches), no artigo 14, observa que os presbíteros “devem manter a pureza da Palavra e dos Sacramentos, ajudar a catequizar os jovens, promover a educação centrada em Deus …” Assim, é semelhante ao Regimento das CanRC, mas não insiste que a escolaridade esteja de acordo com as confissões reformadas.

A Proposta conjunta de Regimento para as CanRC e URC de 2012 faz um ótimo trabalho, combinando-as ao solicitar ao conselho para “promover a escolaridade em todos os níveis que esteja em harmonia com a Palavra de Deus como resumiram as Três Formas de Unidade”. Isso cria espaço para a educação domiciliar e também exige conformidade com as confissões reformadas.

As Igrejas Reformadas Livres (FRC – Free Reformed Churches) têm uma herança teológica comum às NRCs, mas o Regimento mudou quanto a este assunto. O artigo 54 estabelece:

“Os conselhos farão o necessário para que os pais, em harmonia com as promessas feitas no batismo de seus filhos, tenham-nos em escolas onde a instrução está de acordo com a Palavra de Deus e as Três Formas da Unidade.”

Como o Regimento das CanRC, há uma menção explícita de que a escolaridade deve estar de acordo com as Confissões Reformadas.

os regimentos das igrejas são realistas?

Esses vários regimentos parecem refletir o tipo de educação que comumente observamos ocorrendo entre as famílias nessas denominações. As congregações das NRC criaram suas próprias escolas dirigidas pela igreja. Exceto no caso das escolas católicas romanas, esse modelo é muito raro no Canadá hoje.

Membros das CanRC começaram escolas onde a maioria dos estudantes também são das CanRC. No entanto, mais recentemente, a direção mudou para trabalhar com pais de outras igrejas reformadas ortodoxas para iniciar e manter escolas.

As URC saíram recentemente da Igreja Reformada Cristã – CRC (Christian Reformed Church) e, como resultado, muitas crianças ainda frequentam escolas cristãs não confessionais, embora uma mudança mais recente seja explicitamente em direção a escolas reformadas como a Heritage Christian School, em Jordan, Ontário.

Os pais das FRC não têm tantas opções já que têm poucas igrejas. Mas eles trabalham em conjunto com as NRC, Heritage Reformed (Herança Reformada) e com pais de outras igrejas para manter escolas reformadas confessionais.

Todas essas denominações reformadas reconhecem uma responsabilidade para igrejas quando se trata de promover a educação sólida, mas a maioria se afastou do modelo de 1619 em que as igrejas tinham autoridade direta e responsabilidade sobre as escolas.

educação escolar de acordo com a bíblia

Uma grande razão para a diferença de perspectiva sobre o papel da igreja na educação é porque a Bíblia tem muito pouco a dizer sobre escolaridade. Não há menção de escolas nas Escrituras. O mesmo é verdade para a educação em um sentido institucional para as crianças em geral.

Isso significa que a Bíblia não tem nada a dizer sobre educação? Não! Mas isso significa que nossa compreensão moderna da educação é estranha aos tempos bíblicos. Através das lentes da Bíblia, a própria vida é educação. Em outras palavras, a educação não se limita a um cenário específico ou a um tempo em nossa vida. Começa quando nascemos e nunca termina. Isso é importante porque a educação institucional tornou-se uma indústria no mundo ocidental. Nós a associamos com certificados, diplomas e graus. Mas embora reconhecendo seu valor, se pensarmos que são necessários para a educação, a Bíblia diz que estamos perdendo o ponto.

fazendo as escolhas difíceis

Na fonte batismal, os pais prometem criar seus filhos no temor do Senhor, tão logo essas crianças sejam capazes de entender. A escolaridade que escolhem para o seu filho deve ser consistente com essa promessa e com a pregação que eles recebem do púlpito.

Isso levanta a questão de quão longe uma igreja pode ir quando há desacordo entre os presbíteros e os pais sobre o que constitui uma “educação piedosa”. Não é incomum para os pais de uma igreja enviarem seus filhos a escolas diferentes. E quando o conselho trata acerca da escolha dos pais, isso pode rapidamente se tornar numa conversa sensível e difícil.

Em nosso mundo pós-moderno, nós não gostamos que nos digam que a escolha que fazemos é certa ou errada. De fato, até mesmo ser questionado sobre nossas escolhas na educação pode fazer com que levantemos nossa guarda. Essa é uma questão sensível. Por exemplo, depois de uma das apresentações da ARPA (Association for Reformed Political Action – Associação para Ação Política Reformada) sobre desafios legais na educação, fiquei bastante surpreso quando uma mãe que educa os filhos em casa me disse que esta foi a primeira vez que ela ouviu alguns de nossos pontos (sobre a centralidade da autoridade dos pais na educação e os perigos de ensinar dentro do sistema educacional dirigido pelo estado) sendo feito dentro das paredes daquela igreja em particular em que estávamos apresentando e da qual ela era membro. Ela explicou que tentaram levantar questões relacionadas há anos, mas a maioria das pessoas se recusava a considerá-las. Embora a educação em casa pareça ter um forte apoio bíblico, aparentemente, discutir isso em sua igreja reformada não era bem-vindo.

Todos os regimentos mencionados anteriormente são consistentes em atribuir aos presbíteros a responsabilidade por requerer dos pais que prestem contas acerca de sua decisão de como eles educam seus filhos. A realidade é que, nesta área da vida, como em qualquer outra área, pode haver muitas tentações para perseguir o que queremos e não o que é melhor. O desejo de frequentar uma escola que tenha melhores instalações, professores, padrões acadêmicos, programas esportivos, aulas práticas, etc. pode nos levar a comprometer o modo como essas coisas são ensinadas. Por outro lado, estamos errados se pensarmos que nossa única opção educacional é uma escola que tem o nome de “Reformada” ou que, em sua constituição, diz que é baseada nas confissões reformadas. A educação vai muito além de um nome ou uma constituição. E de outro ângulo, só porque a educação está sendo feita em casa, não a torna piedosa ou de qualidade.

A Bíblia não insiste em que a escolaridade tem de ser institucional (ou seja, dentro dos muros de uma escola). Mas deixa claro que toda educação deve estar em harmonia com a Palavra de Deus, e nossos Regimentos deixam claro que o conselho tem uma responsabilidade a este respeito.

perguntas para os leitores[iii]

Em um esforço para desencadear alguma discussão pública sobre isso, gostaria de enviar as seguintes perguntas com a esperança de que alguns dos leitores da Reformed Perspective respondam por meio de cartas ao editor ou submissão de artigos:

  • Embora a educação domiciliar não seja especificamente mencionada na maioria dos regimentos das Igrejas Reformadas, devemos assumir que ela esteja implicitamente incluída (como simplesmente outro tipo de escola)? Ou deveria ser incluído explicitamente? Por quê ou por quê não?
  • Como os conselhos devem garantir que a educação que está sendo dada numa família que educa em casa é piedosa e em consonância com as confissões reformadas?
  • Algumas famílias reformadas enviam seus filhos para escolas públicas (também em locais onde existem escolas reformadas e cristãs). Do contexto do que é delineado nos regimentos das igrejas, isso pode ser defendido? Algumas famílias reformadas enviam seus filhos a escolas cristãs não confessionais, também em locais onde uma escola reformada ortodoxa está presente. A igreja deveria falar acerca disso por meio da pregação, orações e visitas? Em caso afirmativo, como?
  • Algumas famílias reformadas enviam seus filhos para escolas reformadas e acreditam que isso conclui suas responsabilidades educacionais como pais. O que mais é exigido deles? Como o conselho e a Igreja podem explicar melhor isso para eles?
  • Algumas escolas são estruturadas como escolas governadas pelos pais, mas usam o nome de uma federação de igrejas (por exemplo: Escola Reformada Canadense Hope). O que acontece quando a direção dos pais/conselho da escola entra em conflito com a direção da igreja com a qual esses pais se ligaram de forma implícita ou explícita (por exemplo, na escolha das traduções da Bíblia)? Quais são as bênçãos e os perigos de uma escola governada pelos pais que se opera com o nome de uma federação de igrejas?

 

[i] Nota do tradutor: A tradução literal do título original poderia ser: Escola: quem deve governar?

[ii]Nota do tradutor: O Regimento das Igrejas Reformadas do Brasil rege o seguinte sobre a responsabilidade dos pais na educação de seus filhos: ARTIGO 48. O Compromisso dos Pais que têm Filhos Batizados: Os pais devem instruir seus filhos batizados na doutrina da palavra de Deus, como prometeram quando seus filhos foram batizados, também, se for possível, através de educação escolar baseada nesta doutrina.

[iii] Nota do tradutor: as perguntas fazem parte do artigo original e foram traduzidas com o intuito de estimular o raciocínio e não de prover uma discussão sobre os pontos.

 

Traduzido por Elias Barbosa da Silva com autorização do autor.

educacaoreformada.com.br

Original disponível em http://reformedperspective.ca/school-who-should-rule/

Sobre o autor:

Mark Penninga é o diretor executivo da ARPA – Canadá, que tem a missão de equipar membros de Igrejas Reformadas canadenses para agirem politicamente e trazer uma perspectiva bíblica ao governo civil. Ele é mestre em Ciência Política, Bacharel em Filosofia e tem um certificado de Liderança em Assuntos Públicos Aplicados. Mark é o autor do livro  “Building on Sand: Human Dignity in Canadian Law and Society“. (Construindo sobre a areia: A Dignidade Humana na Lei e Sociedade Canadense)

 

Igreja, Lar e Escola – Como assim um tamborete de duas pernas?

Igreja, Lar e Escola – Como assim um tamborete de duas pernas?

Por Kent Dykstra

Uma metáfora popular para a educação na comunidade Reformada é a imagem de um triângulo, um tripé ou um banquinho (tamborete) de três pernas. As pernas do tamborete são chamadas de igreja, lar e escola. Se uma dessas pernas estiver faltando, todo o tamborete vem a baixo. Ao manter este modelo em mente, podemos manter três instituições fundamentais funcionando corretamente na comunidade.

O modelo de tripé da educação tem uma longa história em nossos círculos reformados. Seus defensores o usaram para defender uma série de princípios relacionados à educação reformada. De acordo com o modelo, a instituição de uma escola cristã é uma responsabilidade de todos os membros da igreja e, portanto, deve ser financiada por todos. Além disso, o modelo assume que o lugar das crianças é na escola e não em casa. E assim, famílias que educam seus filhos em casa, não apenas os privam da influência da escola, mas também não estão apoiando seus irmãos e irmãs no compartilhar do fardo de ter uma escola cristã.

A visão da educação como um banquinho de três pernas tem seus pontos fortes. O apoio comunal da educação reformada é certamente positivo. Além disso, o modelo faz um bom trabalho descrevendo as influências sobre a educação de uma criança – as crianças são de fato influenciadas pela igreja, pelo lar e pela escola. (Vou deixar para outros escritores o debate acerca do impacto do mundo nesta equação.)

OS LIMITES DO TRIPÉ

No entanto, em minha opinião, o modelo triangular ou de tripé da educação também tem suas limitações. Se tentarmos usar o modelo para descrever as responsabilidades das várias partes na educação de uma criança, o modelo se quebra. Ele acaba atribuindo muita importância a apenas uma das pernas – a escola.

Quando as escolas se dão muita importância, podem ser vistas como instituições que têm uma vida por si próprias. Especialistas em educação, chamados de professores, reúnem os filhos da congregação. Eles assumem a responsabilidade pelo bem-estar educacional das crianças como sua responsabilidade. O envolvimento dos pais na educação é limitado a fornecer alimentação física, enquanto a escola fornece alimentação mental. Na melhor das hipóteses, o alimento espiritual é compartilhado entre o lar e a escola; na pior das hipóteses, a responsabilidade pelo bem-estar espiritual recai cada vez mais para a escola. O Conselho da Escola[1] fornece recursos financeiros e cuida do prédio escolar sem se envolver demais em assuntos educacionais. As tentativas de envolver os pais na tomada de decisões educacionais são facilmente descartadas. Afinal, o que os pais sabem sobre a educação?

Essa imagem da educação está longe do que a Escritura ensina. A famosa passagem em Deuteronômio 6: 4-9, que foi usada para abrir muitas reuniões da sociedade escolar, é dirigida diretamente aos pais: “tu as inculcarás a teus filhos …” No Salmo 78, novamente vemos a imagem dos pais contando a seus filhos, os grandes feitos do Senhor. Embora tenhamos uma ampla menção nas Escrituras sobre o papel da igreja e do lar, não encontramos uma menção à instituição da escola.

A Escritura ensina que a educação é uma responsabilidade dos pais. E junto com a responsabilidade, Deus também dá os meios para cumprir essa responsabilidade. Em Hebreus 13:21, Deus prometeu nos equipar com tudo o que precisamos para fazer a vontade dele, que certamente inclui a educação de nossos filhos. Isso significa que cada pai é, de alguma forma, um especialista em educação.

Com certeza, nem todos os pais estão equipados com o mesmo grau para tarefas educacionais específicas. Também faz parte da responsabilidade reconhecer os próprios pontos fracos. Por isso, os pais podem, e muitas vezes devem, usar escolas para ajudar no cumprimento de sua tarefa. Mas isso não tira o fato de que a responsabilidade por esta educação recai aos pés de cada pai, não aos pés da escola – e certamente não aos pés do governo.

OS PAIS VÊM PRIMEIRO

Em vista disso, talvez um modelo de “duas pernas” seria mais apropriado. A escola não deve ser vista como uma entidade separada com suas próprias responsabilidades para com os filhos da congregação, mas como uma extensão do lar.

Em um certo sentido, todos somos homeschoolers[2]. No entanto, as exigências da educação na sociedade moderna estão além das capacidades, energia ou tempo de muitos (se não a maioria) dos pais. Como resultado, nos unimos como um grupo de pais com propósitos iguais e formamos uma sociedade. Nós construímos um edifício. Contratamos professores e administradores profissionais. Nós juntamos nossos recursos financeiros. Pedimos assistência de outros membros da congregação que não têm filhos em idade escolar. Nós formamos uma escola… uma escola cristã.

Essa visão de educar está em oposição direta à visão secular das escolas, que vê as escolas como agentes da socialização. Nas escolas públicas, as crianças estão presas à tensão da questão – a quem pertencem as crianças: aos pais ou o estado?

Nossas escolas reconhecem o fato de que a resposta a esta pergunta é clara – aos pais! Por exemplo, o Manual dos Pais da Escola William de Orange[3] afirma:

De acordo com Deuteronômio 6 e Salmo 78, os pais têm a tarefa de criar seus filhos no temor do Senhor … Os mesmos valores que são valiosos para os pais precisam ecoar ressonantemente … na sala de aula (Do Jardim à Cidade, p. 26 e 27).

A ideia de que a escola é uma extensão do lar tem implicações para nossas escolas, algumas das quais quero destacar aqui.

  1. Envolvimento dos pais é um dever

Primeiro, isso significa que o envolvimento dos pais não é apenas desejado, é uma necessidade! Não podemos deixar a educação de nossos filhos para “os especialistas” por trás das portas fechadas da sala de aula. Precisamos estar envolvidos na busca da conscientização acerca do que nossos filhos estão aprendendo, tanto perguntando aos nossos filhos, como também visitando sua sala de aula. Estar envolvido também significa dar uma contribuição sobre a direção curricular que a escola deve tomar e ajudar a manter a escola funcionando sem problemas, compartilhando nossos talentos e tempo. Este envolvimento dos pais também assume a forma de trabalho voluntário nas trincheiras – das salas de aula! Uma cultura voluntária forte em uma escola é uma grande benção para os alunos.

Os professores precisam acolher e abraçar essa cultura do voluntariado. Os voluntários não somente podem tornar mais fácil e eficaz o trabalho do professor, como também representam uma prova viva de que os pais da escola levam a sério seus papéis. Além disso, os voluntários têm um efeito positivo sobre os alunos, pois veem que sua educação é importante o suficiente para que seus pais passem um tempo na escola.

  1. A comunicação pais-professores é um dever

Em segundo lugar, essa visão da escola destaca a importância de uma boa comunicação entre a escola e o lar. Esta comunicação precisa acontecer em ambas as direções. As escolas têm a obrigação de informar aos pais sobre o que está acontecendo nas salas de aula e em torno da escola. Os pais também precisam manter os canais de comunicação abertos. Eles precisam fornecer informações sobre seus filhos que ajudarão a escola a tomar as melhores decisões educacionais para eles. Eles precisam ser proativos no tratamento de problemas e desafios na escola. Eles precisam externar suas opiniões sobre a direção curricular, de modo que o que é ensinado na escola pode ser um reflexo do que é ensinado no lar.

ESCOLAS ESTABELECIDAS PELOS PAIS ≠ ESCOLAS ADMINISTRADAS PELOS PAIS

No entanto, esse modelo não implica que cada pai tenha autoridade para tomar decisões educacionais pela escola. Nossas escolas são escolas estabelecidas pelos pais, com certeza! Mas não são escolas administradas pelos pais. Em vez disso, elas são escolas administradas por um Conselho. A diferença é tênue, mas significa que os pais delegam parte de sua autoridade ao conselho elegido por eles. Como Conselho (não como pais individuais), eles tomam decisões em favor da escola; decisões que acreditam estarem alinhadas com os melhores interesses da comunidade. Embora não possamos concordar com cada decisão, chega um momento em que nos submetemos ao melhor julgamento de nosso conselho eleito.

Além disso, esse modelo não implica que a educação domiciliar seja necessariamente melhor que educação em escolas da comunidade. Nossas escolas nos permitem reunir nossos recursos e nossos pontos fortes. Especialmente em nível de ensino médio, poucos pais podem combinar a amplitude de conhecimento ou experiência que é representada por uma equipe. Nossas escolas oferecem oportunidades para nossos alunos que não receberiam em casa, como grupos de música instrumental, equipes esportivas e oportunidades de voluntariado. Nossas escolas são um bom caminho para os pais cumprirem sua responsabilidade de educar seus filhos.

Um tamborete com duas pernas não fica de pé muito facilmente. E é verdade que, se ficássemos sozinhos, como pais e igrejas, todos os nossos esforços cairiam em curto prazo. Mas, felizmente, não ficamos sozinhos. É o Senhor que segura nossos esforços para educarmos nossos filhos em Seus caminhos em um ambiente em que eles podem ser cercados por Seu povo pactual.

Kent Dykstra é o Diretor da Escola Cristã Credo de Ensino Médio em Langley, BC. Seu artigo, originalmente intitulado “Igreja, lar e escola – um banquinho de três pernas?” apareceu pela primeira vez na Revista Clarion (Vol. 59, nº 21) e, em seguida, na edição de janeiro de 2014 na Revista Perspectiva Reformada. É reeditado aqui com permissão.

Traduzido por Elias Barbosa da Silva com autorização do autor.

educacaoreformada.com.br

Original disponível em http://reformedperspective.ca/church-home-and-school-a-two-legged-stool/

[1] Em alguns meios, o Conselho da Escola é conhecido como Diretoria da Associação ou Conselho Deliberativo, que representam os mantenedores do projeto escolar.

[2] Termo usado para descrever famílias que educam os filhos em casa, não os enviado para a escola regular.

[3] A Escola William de Orange fica localizada em Surrey, BC, Canada.